Imagens e suas Leituras
Título: Os Filhos da Talidomida

Autor: n.d.

Ano: 1962

Um dos capítulos mais negros da história da indústria farmacêutica foi escrito pela droga talidomida. Lançada no mercado europeu em 1957 como a “pílula de dormir do século”, a droga logo virou best-seller. Imediatamente foi marqueteada por 14 companhias em 46 países como a pílula que matava a pau a insônia, as tensões decorrentes do estresse e as náuseas desagradáveis das grávidas. Tudo a custo zero, isto é, sem efeitos colaterais. Mas não era bem assim. Na verdade, não era nada assim. Na ânsia de conquistar um pedaço considerável de mercado, os fabricantes não se aprofundaram nos testes sobre o efeito da droga nos fetos. A conseqüência dessa irresponsabilidade foi a geração de 12 mil crianças européias com gravíssimas deformações. Nasceram sem braços, ou sem pernas, ou cegas, ou surdas e/ou com órgãos internos lesionados. Os consumidores dos Estados Unidos foram salvos pela rabugice de uma burocrata do FDA (Food and Drug Administration), agência de governo responsável por controlar a produção e comercialização de alimentos e drogas no país. Frances Kelsey, a “pentelha”, exigiu dos fabricantes a comprovação de testes mais amplos da droga. Enquanto as comprovações não chegavam, Frances sentou em cima do processo por 14 meses, evitando que a tragédia atingisse os consumidores americanos. Mais tarde, em reconhecimento, ela ganhou do presidente Kennedy uma medalha de honra ao mérito. Mesmo não tendo aprovação do FDA, médicos americanos distribuíram amostras grátis das drogas para 20 mil de suas pacientes. A foto acima foi tirada, em 1962, num jardim de infância dedicado aos “filhos da talidomida”, em Colônia, na Alemanha.


Roberto de Castro Neves, www.imagemempresarial.com

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