Histórias & Casos
Título:Fazendo lobby no Santo Papa

Uma antiga anedota conta que um lobista da Coca-Cola teria sido expulso do Vaticano, pela Guarda Suíça, a pontapés. Não sendo um comportamento usual de uma guarnição tão elegante, os jornalistas se interessaram em saber o que teria feito o lobista para justificar tamanha e inusitada violência. O porta-voz do Papa assim explicou o incidente:
- Esse cidadão pediu uma audiência ao Papa. Sua Santidade, julgando que se tratasse de um fiel em busca de uma bênção, concordou em recebê-lo. E qual não foi a surpresa quando o cidadão ofereceu, à Sua Santidade, uma importância em dinheiro para que ele, ao fim de cada cerimônia, agregasse à expressão “Ita missa est”, o slogan “Coca Cola is the best.”

São várias as acusações feitas aos lobistas no mundo todo. Entre outras pechas, estão o agenciamento da corrupção, promoção de bandalheiras, invasão da privacidade, espionagem, comportamento anti-ético, falta de mancômetro, etc. A anedota citada trabalha alguns desses traços de imagem. O perfil do profissional está desenhado na historinha: a cara de pau, a audácia, a falta de sensibilidade, a grosseria, a atitude acafajestada e desrespeitosa. “Imagine uma pessoa fazer uma proposta indecente para Sua Santidade, associando-o a um símbolo do Capitalismo e do consumismo. Só mesmo um lobista!”
Entretanto, certa vez, o Papa João Paulo II posou ao lado de uma Mercedes zero quilômetros que ele ganhou de presente do fabricante. Na ocasião, Sua Santidade fez grandes elogios ao produto, mencionando inclusive detalhes técnicos. Desta vez, não foi a vida imitando a arte, mas a vida imitando a anedota.
Sem querer entrar no mérito, façamos o merecido registro ao lobista da Mercedes: que senhor lobista, heim!

[Extraído do livro Lobby Empresarial, (em desenvolvimento) de Roberto de Castro Neves.]



Roberto de Castro Neves, www.imagemempresarial.com

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