Vale a pena prestar atenção
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- Justiça? Que justiça? O "Caso Escola Base" é uma das maiores vergonhas para a mídia brasileira. Em 1994, indefesos empresários, donos de uma pequena escola em São Paulo, são acusados de abusarem sexualmente de seus alunos. Duas mães psicologicamente desequilibradas, um delegado exibido e irresponsável e a mídia sensacionalista, juntos, jogaram a Opinião Pública contra os pobres coitados, destruindo sua empresa e suas vidas. Oito anos depois, o Superior Tribunal de Justiça condena o Estado de São Paulo a pagar uma indenização por danos morais de R$ 250 mil a cada um dos 3 empresários. Nem as caluniadoras, nem a mídia foram molestadas. A conta vai ser paga pelos contribuintes. Justiça tarda e falha. [Vários jornais em 20/11/02] - Será verdade? Num canto de página – O Globo de 19/11/02 - uma notícia curiosa. A Nissan – fabricante japonesa de automóveis que é presidida por um brasileiro, Carlos Ghosn – é acusada de discriminação contra hispânicos. Em Miami, na Flórida, uma pesquisa aponta que a empresa cobrou, de milhares de clientes hispânicos, taxas 40% maiores das que cobrava de “clientes brancos” com o mesmo histórico de crédito. A empresa nega. A conferir. - Valdez, ninguém esquece. Infelizmente, mais um desastre ambiental. O petroleiro Prestige, grego, com bandeira de Bahamas, carregado com mais de 70 mil toneladas de óleo combustível, partiu-se em dois e afundou ontem (19/10/2002) a cerca de 250 quilômetros da costa da Galícia, noroeste da Espanha. Como apenas 10% do conteúdo dos tanques foi liberado – o resto afundou a uma profundidade de 3600 metros – os danos maiores podem acontecer a longo prazo. O lugar do acidente não podia ser pior. A costa da Galícia é rica em espécies de aves, peixes e mamíferos marinhos, todos altamente vulneráveis à poluição. A pesca, uma das principais atividades econômicas da região, já foi severamente afetada. Tudo muito triste. Obviamente, a mídia internacional cobriu o desastre com fotos impressionantes do naufrágio do petroleiro. E nas reportagens, qual foi a referência? Claro, Valdez, o acidente ocorrido no Alasca, em 1989. [ver neste site em “Crises Empresariais com a Opinião Pública”]. No trágico ranking de estragos ambientais, Valdez não figura entre os 30 maiores. Dentro de pouco tempo, pouca gente vai se lembrar do petroleiro Prestige, mas, de Valdez, ninguém esquece. Top of mind é isso aí. - As pílulas de farinha da Schering continuam dando o que falar. Tá lembrado(a) desse caso ocorrido com anticoncepcional Microvlar em 1998? Pois é, o assunto está longe de acabar. A Sexta Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Paraná condenou, na semana passada, por unanimidade de votos, a Schering do Brasil a pagar ao menor R.M.F.T., de 4 anos, fruto de gravidez indesejada, todas as despesas com plano de saúde e educação, além de ficar responsável por pensão mensal de três salários mínimos até ele conclua curso superior. A empresa pode recorrer da sentença. (novembro 2002) - O inferno astral da Bayer continua. Em agosto do ano passado, este site comentou a crise enfrentada pela Bayer com o seu remédio Baycol – também conhecido por Lipobay. [ver "Nem tudo que é Bayer é bom" no Jornal da Imagem Empresarial] O produto – destinado a reduzir o colesterol – chegou a ser o terceiro mais bem vendido da empresa. Foi retirado do mercado depois de suspeitas de ter produzido lesões em mais de mil consumidores e mais de cem mortes. A crise acabou sumindo da mídia internacional após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Mas o problema está longe de terminar. Até o momento, já foram impetrados 3500 processos e as indenizações – segundo analistas – podem chegar a 10 bilhões de dólares. (novembro de 2002) - Imagem das instituições: de mal a pior. Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 47 países de todos os continentes mostra que é ruim a imagem das instituições em geral. [Aliás, esta é a tese central deste site.] No Brasil, a pesquisa aponta “Grupos Religiosos e Igrejas” como a instituição de maior credibilidade (65%), seguido das ONGs (61%) e das Forças Armadas (59%). Embora sejam líderes na pesquisa, não é uma performance pra comemorar se considerarmos que essas instituições não sofrem oposição sistemática nem são cobradas por seus desempenhos. A “Imprensa” brasileira ocupa um significativo quarto lugar (58%).[Mundialmente, essa instituição está em décimo lugar] “Empresas Nacionais” aparecem em sétimo (53%) e as “Multinacionais”, em nono (47%). “O Poder Público” – Executivo, Judiciário e Legislativo – tem uma imagem medíocre no Brasil e no mundo. Os resultados da pesquisa são tão preocupantes que serão tema de discussão no próximo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro próximo. Modestamente, este site tem uma sugestão para essas instituições: investir em Comunicação. É um santo remédio. (novembro 2002) - Empresas aguentam o tranco. A coluna de George Vidor, no Globo, informa que as perdas das seguradoras e resseguradoras com o atentado do World Trade Center, em Nova Iorque, já estão sendo calculadas em 30 bilhões de dólares, quantia correspondente a um terço do prejuízo total causado pelo desabamento das duas torres. Ele compara essas perdas com as causadas pelas enchentes que ocorreram recentemente na Europa Central. Lá, as perdas das seguradoras não devem passar de 3 bilhões de dólares. Segundo o jornalista, nunca o setor de seguros tinha se deparado com tal perda. No entanto, essas empresas têm um grande poder de recuperação e várias delas já voltaram a dar lucro no atual exercício. (14.09.02) Essa informação possibilita várias leituras. A primeira é que – em matéria de estragos - os homens estão conseguindo ganhar da natureza de goleada. Segundo, que empresas bem administradas, podem livrar o bolso do contribuinte de uma conta indigesta. - Johnson & Johnson. Seu produto EPREX – remédio usado para repor glóbulos vermelhos em doentes submetidos à quimioterapia ou radioterapia – está sob suspeita de levar os usuários a uma condição em que seus organismos não conseguiriam mais produzir sozinhos os tais glóbulos. Para sobreviver, eles teriam que sofrer transfusões de sangue para o resto de suas vidas. A denúncia teria partido de um ex-funcionário. O momento não poderia ser pior para uma crise dessa natureza surgir. Em tempos de paz, já seria difícil administrar a crise embora a Johnson & Johnson tenha bastante competência no assunto. Lembra-se do Caso Tylenol? Pois é. Mas no clima de histeria reinante, ninguém quer ouvir as razões da empresa. Por conta da acusação, suas ações na bolsa de Nova Iorque despencaram. Maluquice total. (23.07.02) - Os terroristas de Wall Street. O estrago na economia mundial e na imagem das empresas em geral provocado pela ação criminosa de altos executivos – principalmente americanos – vai levar um bom tempo para ser consertado. O impacto do atentado terrorista de 11 de setembro, o sistema tirou de letra. Seis meses depois, no cenário econômico, tudo como dantes. Mas o atentado que esses senhores cometeram contra o sistema é muito mais profundo, mexeu com pilares importantes. Entretanto, não será difícil fechar as brechas, muita gente vai ver o sol nascer quadrado por alguns anos. Difícil será recuperar a credibilidade empresarial. Os comunicadores vão comer o pão que o diabo amassou. [Leia O Escabroso Caso Enron em Jornal da Imagem Empresarial] (12.07.02) - Carteirada judicial. A imagem dos poderes públicos no Brasil é muito ruim. O Judiciário não fica atrás. Fama de corporativista, lento, ultrapassado, distante da realidade. Pode não corresponder à verdade, mas esta é a sua imagem junto à Opinião Pública. Também seus integrantes fazem por merecê-la. O episódio ocorrido no Rio de Janeiro em que um desembargador dá voz de prisão a uma guarda municipal que o multara por uma infração de trânsito fortalece o estereótipo. Choveram cartas ao jornal O Globo condenando a carteirada do juiz. O meretíssimo pode até estar inocente na história toda e ser mais uma vítima dos injustos linchamentos que a mídia produz diariamente. Mas fama é fama. (12.07.02) |